Quanto cobrar? Aprenda como precificar seus serviços

Lembra daquele vídeo do ator Pedro Cardoso falando sobre a desvalorização dos profissionais de construção civil no Brasil? É justamente porque muitas pessoas acham um absurdo pagar um valor justo pelo trabalho manual que um dos maiores desafios do pedreiro é saber como precificar seu serviço.

Para entender como precificar sua mão de obra, é preciso dar um passo atrás e analisar o mercado em que você atua, porque ele será determinante para o levantamento de custos e projeção de lucro. Afinal, ninguém quer trabalhar só para pagar o serviço: todos queremos ter uma margem limpa de lucro para pagar contas e realizar sonhos.

Apenas uma precificação consciente vai dar espaço para as duas coisas.

O Sebrae afirma que saber como precificar um produto ou serviço depende de quatro variáveis: os custos para que o trabalho seja feito (como materiais, deslocamento, pessoas contratadas como mão de obra assistente), concorrência (a lei da oferta e procura: se você é mais qualificado – ou disponível – que seus colegas, pode cobrar a mais), consumidor (se você atende mais em bairros de classe média baixa, não adianta nada tentar cobrar como se eles tivessem poder de compra de classe alta) e valor agregado (se o serviço tem atributos e diferenciais, ele pode – e deve – custar mais caro).

Com essas informações, saber como precificar a mão de obra fica mais fácil. Você pode fazer alguns testes de validação, como jogar o preço máximo dentro da realidade em que você atende para aquele serviço, para ver os resultados, ou começar atuando com valores abaixo da média, para angariar experiência e clientela e, a partir daí, começar a praticar o preço desejado.

Como precificar com a tabela SINAPI

Os profissionais da construção civil, no Brasil, podem aprender como precificar de maneira mais específica para sua área de atuação. Trata-se da tabela SINAPI, o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil.

Esse documento, basicamente, estabelece algumas regras para os orçamentos de obras e outros serviços de engenharia, para que nenhum profissional receba abaixo da média só porque o cliente não achou justificável seus valores.

A tabela SINAPI ajuda o pedreiro a entender como precificar a partir de seu estado e dos valores que a categoria pratica dentro dele. Ela pode ser acessada gratuitamente no site da Caixa e serve de auxílio para que a tentativa de precificação abaixo da média não seja injusta com o próprio profissional que escolhe os valores.

E, ainda dentro da área, dá pra aprender como precificar a mão de obra conversando com outros colegas e, também, fazendo um levantamento da própria experiência. Quanto mais indicado for um pedreiro, e quanto mais projetos ele tiver para mostrar com bons resultados, mais acima da média deverá ser seu preço.

Agora, se estiver no começo, precisando fazer clientela e portfólio, compensa jogar o preço um pouquinho abaixo do trivial e começar a carreira de maneira mais “humilde”, porém consistente.

A realidade é que só sabe como precificar seu próprio esforço aquele que está na ativa – e, para isso, é preciso se diferenciar pelas habilidades, pelo trato, pela qualidade das obras e dos materiais utilizados e, claro, pela inovação promovida nas reformas e construções de seu cliente. Tudo o que for possível para entregar excelência, a qualquer custo, deve ser feito.

Vale lembrar que o pedreiro lida diariamente com a realização de sonhos dos outros através de suas próprias mãos calejadas e trabalhadoras – e que, mesmo não sabendo como precificar sua hora de serviço, ser aquele que muda a realidade das pessoas a seu redor é uma virtude que, absolutamente, não tem preço.

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